22 Agosto 2008
  Um regresso só podia ser assim...

Miles Davis - "So What"
Live, Abril 1959

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04 Abril 2006
  Miles Davis (1926 - 1991)

Durante mais de 40 anos, Miles Davis reinventou o jazz...
...não só pela sua virtuosidade como instrumentista, mas também pela sua genealidade como improvisador!

Além de participar no desenvolvimento do bebop, Miles foi o percursor do cool jazz.
Enquanto o bebop tem como pontos fortes a composição e o improviso, o cool jazz caracteriza-se por ser executado por formações maiores que permitem arranjos orquestrais.
Miles participou ainda no arranque do jazz-rock, do jazz modal e do jazz-fusão, que derivou posteriormente no acid jazz.

O som da sua trompete é único.
Poucos músicos conseguem usar momentos de silêncio nos seus solos como Dewes Miles Davis Jr.
Quase sempre sem vibrato (efeitos de oscilação do som) e com o uso da surdina, Miles tocava frases musicais curtas de forma macia.

A parceria com Gil Evans possibilitou um início de carreira marcante, a partir de 1948, e que prosseguiu no decorrer da década de 1950.
Com influências variadas, o som da Miles Davis-Capitol Orchestra surpreendia pelas suas estruturas elaboradas e sofisticadas.
Ao mesmo tempo, Miles já explorava em 1949 o estilo cool jazz.

Em 1956, passou a reunir bandas com várias formações históricas.
Entre os talentos liderados, nesta fase, por Miles destacam-se os saxofonistas John Coltrane e Cannonball Adderley, o pianista Red Garland, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones.
Uma das suas obras-primas deste período é o álbum "Kind of Blue", de 1959.

Já no início dos anos 60, Miles explora o denominado jazz modal.
Este tipo de jazz tem como base combinações harmónicas mais livres do que a harmonia tonal tradicional e o improviso leva mais em consideração os acordes do que a melodia.
Paralelamente, Miles retoma a colaboração com Gil Evans para gravar com o apoio de um orquestra.

Em 1964, o colectivo liderado por Miles passou por uma grande renovação, com George Coleman no saxofone tenor, o piano de Herbie Hancock, Ron Carter no contrabaixo, o adolescente Tony Williams na bateria, e o talentoso compositor Wayne Shorter no saxofone tenor.
Miles grava então concertos ao vivo no Plugged Nickel Club, em Chicago, concertos estes que foram considerados como sendo a chave do jazz moderno.

No final dos anos 60, Miles dedica-se a fundir jazz e rock.
O jazz-rock nasceu, assim, com o revolucionário álbum duplo de 1969, "Bitches Brew".
Essa fase durou até 1972, quando o músico afronta ainda mais os puristas do jazz ao se aproximar do funk e do hip-hop. Nas décadas de 70 e 80, o acid jazz misturou rap e dance music sem ser orientado para o som comercial.

Uma faceta pouco conhecida de Miles Davis foi a de artista plástico, embora tenha montado exposições bem recebidas pela crítica na Europa, em Nova York e no Japão.

Entre 1976 e 1981 passou uma temporada afastado dos palcos devido ao consumo de drogas, particularmente de heroína.
Várias das suas doenças, entre as quais problemas pulmonares, circulatórios e diabetes, foram atribuídos pelos seus amigos a este vício .
Na sua última entrevista ao jornal francês "Le Monde", em Junho de 1991, Miles assumiu o seu estado de saúde precário, morrendo três meses depois de enfarte, pneumonia e deficiência respiratória.

Apesar da sua morte, a sua obra perdura no tempo e mantém-se actual... bastando para isso ouvi-la!

28 Março 2006
  Audições Semanais: #003

Esta semana ouvimos por aqui:
- Ben Webster meets Oscar Peterson - "Ben Webster meets Oscar Peterson" (1997)
- Brad Mehldau Trio - "Day is done" (2005)

- Carlos Bica - "Single" (2005)
- Charlie Haden/Carlos Paredes - "Dialogues" (1990)
- Diego el Cigala - "Picasso en mis ojos" (2005)
- John Coltrane - "One Down, One Up - Live at the Half Note" (2005)
- Joel Frahm with Brad Mehldau - "Don't Explain" (2004)
- Kenny Barron Trio - "Live at Bradley's II: The perfect set" (2005)
- Manu Katché - "Neighbourhood" (2005)
- Thelonious Monk Quartet with John Coltrane - "At Carnegie Hall" (2005)

20 Março 2006
  Noites perfeitas...

Sábado, final de tarde com muita chuva em Aveiro...
Daquelas tardes que são o prenúncio de uma noite de inverno, bem molhada, em que a vontade é de ficar em casa, bem juntinho da lareira, a ouvir jazz...
Apesar do ambiente meteorológico não ser muito favorável acabei por me deslocar a Aveiro, ao Teatro Aveirense, para ver Carlos Bica, acompanhado pelo pianista João Paulo, concerto este integrado no InJazz.


Ao entrar na sala fico com a sensação de que será um concerto intimista... no palco apenas um piano de cauda e um contrabaixo que repousava no chão.
Entra Bica... e logo se funde com o "seu" contrabaixo...
Os primeiros acordes são do tema de abertura do seu ultimo trabalho, "Single"...
Bica, no seu peculiar jeito de tocar o contrabaixo, logo segue para o segundo tema, sem deixar que a plateia tenha tempo de se manifestar.
Nesta primeira parte, onde Bica está sozinho em palco, destaco o fabuloso "Mr. Brody" e as constantes variações de sentimentos transmitidos pelo contrabaixo de Bica.


Bica agradece e apresenta o amigo que o acompanha nesta noite, o pianista João Paulo.
Esta "nova" formação arranca com "Waiting for Tom", uma composição de Bica dedicado a Tom Waits, onde ficou demonstrada toda a mestria de João Paulo.

Até ao final do concerto a musica fluiu, sem pressas, com solos de muita qualidade, ficando demonstrado que se tratam de dois dos melhores executantes actuais do jazz português... que se encaixam na perfeição.
O concerto termina... a chuva continua a cair lá fora... enfim, uma noite perfeita...

[+info]
InJazz
Carlos Bica

18 Março 2006
  Hoje, no Teatro Aveirense... lá estarei

Carlos Bica «Single»
+ João Paulo

Teatro Aveirense (21:30)

16 Março 2006
  Brad Mehldau... tal como o ouço!

Nunca irei esquecer o meu primeiro concerto de Mehldau, acompanhado por Grenadier e Rossy, no dia 29 de Outubro de 98, no Auditório Municipal Fórum Cultural do Seixal, na primeira fila...

Desde esse dia que sempre que ouço Mehldau... "vejo-o" na minha mente desta forma:

(Se alguém souber de quem é a autoria desta pintura p.f. digam-me para eu colocar os créditos)

12 Março 2006
  Paintings by Frans Mandigers

Chet Baker












Miles Davis

10 Fevereiro 2006
  Bud Powel (1924 - 1966)

Começou a estudar piano aos cinco anos, aos dez anos já tentava imitar músicos assim como Fats Waller e Art Tatum, durante a sua adolescência conheceu Thelonious Monk, de que foi aluno.

Apesar de não ser um fundador do Be Bop foi um dos expoentes, assim como Max Roach, Thelonious Monk, entre outros. Bud Powel foi um dos poucos músicos que era capaz de desafiar Parker para duelos, como os de “Round Midnight”, em história gravação ao vivo no Birdland.

Em 1941 já é relativamente conhecido no meio musical nova-iorquino, sendo convidado pelo ex-trompetista da orquestra de “Duke” Ellington, Cootie Williams, a tocar na sua banda.

A partir daqui os seus problemas com a bebida agravam-se passando vários dias na rua, voltando para casa com a ajuda de amigos assim como do seu admirador Jackie McLean, que cuidou dele durante esse período.

Mais tarde, foi preso juntamente com Monk por posse de drogas e mais uma vez é mandado para uma instituição psiquiátrica, onde permanece durante um ano e meio.


Nessa instituição recebe sessões de eletrochoque e só lhe é permitido tocar piano uma vez por semana, sob supervisão.
A sua memória ficou seriamente danificada, esquecendo-se de amigos próximos, como Monk, e nem reconhecia as suas próprias gravações.

Após a sua saída, Powel ficou ainda mais alterado, repercutindo-se no seu estilo, e nas suas apresentações em público, que marioritariamente eram pobres e só por vezes geniais.

Em 1959 muda-se para Paris, onde melhora e volta a escrever música, compondo um tema vivo intitulado "In the Mood for a Classic", dedicado ao povo francês, que apreciava a sua música e que o tratou com muito carinho nos cinco anos que esteve lá viveu.

Um amigo seu francês, Paudras, marcou-lhe seis semanas de concertos no Birdland de Nova York, que com o seu regresso teve mais sucesso do que em toda a sua carreira, contudo só conseguiu cumprir apenas duas semanas, devido ao seu comportamento irregular.

Novamente em Nova York, Powel volta a beber descontroladamente, o que o levou á morte com apenas 41 anos.

Apesar do seu curto tempo de vida, Powel foi uma das figuras mais importantes no mundo do jazz.

26 Janeiro 2006
  O Be Bop

O Be bop, ou bop opôe-se ao espírito convencional e comercial do swing, o primeiro estilo maciçamente popular do jazz.

O swing era um estilo dançante e palatável, que agradava imensamente às multidões durante a época da guerra.
O Be Bop, por seu lado, é um estilo muito mais radical e que faz menos concepções ao gosto popular.

É mais rápido de tocar, com improvisos em escalas mais altas dos instrumentos. Contudo, pressupõe-se que a maior modificação trazida pelo Be Bop tenha sido o rítmo, através da proliferação de síncopas e de figuras rítmicas complexas, assim como através da subdivisão do compasso quaternário em oito batidas equilibradas dentro do compasso. O fraseado torna-se, desta forma, mais flexível, ágil, nervoso, anguloso, cheio de saltos que exigem uma técnica instrumental muito desenvolvida, favorecendo a improvisação e revolucionando a melodia, harmonia, composição, sonoridades e timbres.

Este novo estilo começa com a decadência das grandes orquestras, e marca a volta de pequenos grupos de jazz e dos solistas de grande virtuosismo técnico, que tocavam nomedamente no “Minton´s" do Harlem e na 52nd Street. Esta nova vaga do jazz vai viver, sobretudo, à volta de dois músicos, nomeadamente Dizzy Gillespie e Charlie Parker.

É em 1944 que surge o primeiro grupo designado Bop: Dizzy Gillespie reúne à sua volta Don Byas, no saxofone tenor, Oscar Pettiford, no contrabaixo, e um miúdo de 19 anos na bateria, Max Roach.

Apesar das dificuldades da época, com os Estados Unidos em guerra e a proibição de gravações de estúdio imposta pela Federação Americana dos Músicos, Dizzy e Parker gravaram os discos que cristalizaram o Be Bop, em 1945, dando início oficial à Era Moderna do jazz: “Groovin´ High”, “Dizzy Atmosphere” e “All the Things You Are”. Para Dizzy, “o que fizemos foi uma evolução e não uma revolução. A música sempre evolui e o Be Bop representou vários passos à frente no jazz”.

Ainda em 1945, Dizzy organizou a primeira das big bands que liderou. No final de 1947, ele incorporou definitivamente os ritmos latinos à sua formação ao contratar o percussionista cubano Chano Pozo, cujo entusiasmo e vitalidade deram rumos adicionais à música de Dizzy.

A essa altura, os discos de Dizzy e Parker deram fama definitiva aos dois grandes autores do Be Bop. A orquestra de Dizzy vai à Europa pela primeira vez, em Fevereiro de 1948, causando grande sensação na França e na Suécia, tocando música inteiramente nova para os ouvidos europeus.

A Era do Be Bop estava consolidada.
Tudo o que Dizzy, Parker e seus discípulos faziam era novo e excitante, suas influências eram cada vez mais abrangentes.

O Bop estendeu-se a outros grandes talentos do jazz, como Lester Young, Coleman Hawkins, Dexter Gordon, Cecil Payne e Sonny Stitt, saxofonistas; Roy Eldridge, Milles Davis e “Fats” Navarro, trompetistas; Art Tatum, Thelonious Monk e Bud Powell, pianistas; Billie Holliday, cantora; Kenny Clarke, baterista; Charlie Christian, guitarrista; Milt Jackson, vibrafonista e o trombonista Jay Jay Johnson.
A influência desses músicos na sociedade americana e no mundo inteiro foi enorme.

Com o natural desenvolvimento do Be Bop aperece nos anos 50 o Hard Bop, uma radicalização e ampliação do estilo Bop. As estruturas de 32 compassos sobre os quais os solistas tradicionalmente improvisavam passam a ser mais complexas, e embora pareça paradoxal, impõe menos restrições sobre os improvisos dos solistas. As mudanças de andamentos e de compasso tornam.se mais comuns. Este estilo pode ser visto como uma regressão à dureza do Be Bop, mas com linhas melódicas mais fluídas e possui uma base rítmica mais livre, parecendo muitas vezes em primeiro plano. Dá-se desta maneira aquilo que podemos chamar a emancipação do contrabaixo e da bateria.

Este segmento do bebop, com maior força de expressão rítmico-melódica, foi desenvolvido pelos conjuntos de Art Blakey, Horace Silver, Clifford Brown, Max Roach e Sonny Rollins.

Ainda nos anos 50, e em resposta à agressividade do Hard Bop aparece o Cool Jazz, caracterizado pela maneira moderada de tocar sem vibrato e trouxe uma nova estética através de coloridos tonais extraídos de instrumentação própria, que incluia a tuba e a trompa.

Este estilo nasceu com um disco de Miles Davis, intitulado “Birth of the Cool”, de 1949.
Embora mais simples, introspectivo e contido, não se pode dizer que seja desprovido de swing, ou alma. Pode-se encontrar, nas gravações Cool, rítmos ágeis, solos intensos e sincopas que nada deixam a dever ao Be Bop.

Entre os expoentes do Cool, encontrámos, para além de Miles Davis, Gerry Mulligan, Stan Getz, Chet Baker, Lester Young, Gil Evans, John Lewis, Lee Konitz e Lennie Tristano.

Convém relembrar que tanto o Hard Bop como o Cool partem do Be Bop, embora em direções opostas. Um em direção a uma maior elaboração e complexidade, e outro em direção a uma certa simplificação.

17 Dezembro 2005
  Desenhos de Alastair Graham

Bill Evans

















Chet Baker





















John Coltrane





















Miles Davis


O Jazz nasceu à beira de um abismo.
O Jazz é tensão, estirada, dor agudíssima.
O Jazz não é terminal, recusa-se a um fim, continua mesmo quando acaba.
Porque no Jazz o que importa, acima de tudo, é não acordar!

Natália Correia
(adaptado)

Miles Davis
Cookin'
Miles Smiles

Brad Mehldau
Tal como o ouço
Live in Tokyo

Grandes Nomes do Jazz
Art Tatum
Benny Goodman
Billie Holiday
Bud Powel
Charlie Parker
Coleman Hawkins
Dizzy Gillespie
Duke Ellington
Louis Armstrong
Miles Davis
Thelonious Monk

As Origens do Jazz
Introdução
Origens
Os Blues
O Gospel
O Ragtime
O Spiritual
Estrutura Musical
New Orleans
Aspectos Sociais e Culturais
O jazz estilo New Orleans
O Dixieland
A Continuação do Estilo
A Era Swing
O Be Bop

O Jazz pelo Mundo
O Jazz Europeu Contemporâneo
O Jazz Sul-Americano
O Jazz Africano

Audições Semanais
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Ao Vivo
Carlos Bica - Noites Perfeitas...

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