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23 novembro 2005
  Benny Goodman (1909 - 1986)

Símbolo de uma era, conhecido como The King of Swing, Benny Goodman marcou o percurso da história do jazz com a sua forma original de interpretação de temas que se tornaram em autênticos hinos.

Nasceu em 1909 em Chicago, no seio de uma família Russo-Judaica, teve os seus primeiros contactos musicais, ainda que rudimentares, na Kehelag Jacob Synagog, mais tarde e durante dois anos, com Franz Schoepp, recebeu formação clássica e neste período teve contacto com os mais variados clarinetistas Klezmer da sua zona.

Em 1922 ingressou na High School Harrisson, e tocava ocasionalmente com músicos do famoso Austin Famous Gang. Durante este percurso da sua formação teve contacto com a música de New Orleans, que era tocada por músicos como King Oliver, Louis Amstrong e clarinetistas como Johnny Dodds.

Um ano mais tarde conheceu Bix Beiderbecke, a influência de Bix em Benny Goodman era clara, como por exemplo em temas como, A Jazz Holiday e Blue, podemos constatar esta influencia nos ataques on the beat, na cuidadosa escolha das notas e no fraseado, especialmente em Blue.

Ben Pollack foi outro nome de grande importância na vida de Benny Goodman. Este baterista, que lançou inúmeros músicos para o panorama musical jazzístico, (como por exemplo, Glenn Miller) chegou a tocar na New Orleans Rythm Kings. Quando partiu para Chicago, levou Goodman com ele, e lá fizeram concertos e gravações. Mais tarde, Ben Pollack mudou-se para Nova York e Benny Goodman continuou a acompanhá-lo.

A par do trabalho que mantinha com Ben Pollack, Goodman começou a tocar em bandas de palco na Broadway, (Strike up the band e Girl crazy de Gershwin), na rádio para Red Nichols, Ted Lewis e Paul Whitman e gravações de estúdio como freelance, colaborou em centenas de gravações e entrou em contacto com dezenas de músicos do grande panorama musical da época, como Glenn Miller, Tommy Dorsey, Eddie Lang, John Hammond e Teddy Wilson.

John Hammond, que era um grande admirador de Benny Goodman, ajudou-o a formar a sua primeira big band. Depois de composta a orquestra, conseguiu um contrato no Billy Rose’s Music Hall e quando finalizou este contrato, Hammond conseguiu outro, de vinte e seis semanas, na rádio, num programa chamado, Let’s Dance.

A big band de Benny Goodman, era constituída por três saxofones, três trompetes, dois trombones e quatro
instrumentos de percussão. Os arranjos que faziam parte do reportório da big band, eram de Dean Kincaide, Will Hudson, Benny Carter. Mas foram os arranjos de Fletcher Henderson, que tornaram esta big band famosa.

A entrada de Fletcher Henderson no mundo de Benny Goodman, teve como grande responsável John Hammond, que certo dia incentivou Goodman a contactar Fletcher Henderson para este escrever para ele, desta aliança, resultou aquilo que foi considerado por muitos como a nova Era do Swing e que marcou também o futuro do jazz.

Os arranjos de Fletcher Henderson, como por exemplo, King Porter Stomp e Sometimes I’m Happy, marcaram o carácter musical da big band. Com Goodman a leader da big band, a forma de tocar dos músicos era um modelo de disciplina e aspectos como afinação, vibrato, frases e balanço, por exemplo, não eram muito usuais nas big band daquela época. Foi nesta altura que Benny Goodman conheceu Gene Krupa, baterista que o acompanhou durante muitos anos.

Durante uma jam session, em 1935, Goodman propôs a Teddy Wilson, para gravar com ele e com Gene Krupa e então nasceu o trio de Benny Goodman. Juntos gravaram alguns clássicos do Jazz e o solo de Goodman em After you’ve gone, é um grande exemplo da maturidade do seu estilo.

Depois da conclusão das series radiofónicas Let’s Dance, Goodman e a sua big band, iniciaram a sua primeira digressão. De entre os muitos concertos, houve um que marcou a história por ter sido memorável. Este concerto, realizou-se no Paloma Ballroom em Los Angeles, em Agosto de 1935, teve uma aceitação enorme do público e a crítica foi excepcional.

Ainda em 1935, Goodman alargou o seu trio a quarteto com a entrada de Lionel Hampton, um autêntico mestre do vibrafone, e fizeram a sua primeira gravação a 21 de Agosto desse mesmo ano.

Entre 1936 e 1939, a big band de Benny Goodman atingiu o ponto mais alto da sua carreira, fizeram gravações para a CBS, The Camel Caravan, fizeram os seus primeiros filmes, The Big Broadcast of 1937 e Hollywood Hotel e um contrato de três semanas com a Paramount Theater em Nova York. Todas estas performances, ouvidas por uma enorme audiência predominantemente jovem e a resultante popularidade, demonstrou porque é que Benny Goodman era The King of Swing.

Na mesma altura, Benny Goodman tornou-se o primeiro músico de Jazz a ter sucesso no mundo clássico. As aulas que teve com Franz Schoepp, prepararam-no para esta nova aventura da sua vida. Facilmente se movimentava entre o jazz e clássico, entre o Pallroom e o Carnegie Hall e podia estar toda a noite jamming e no dia seguinte tocava Mozart com o seu colega violetista e o seu amigo de longa data John Hammond.

Se a sua forma clássica de tocar era visível no jazz, o inverso também não era menos verdade.
Tocou o quinteto de Mozart em casa de John Hammond, para uma audiência composta apenas por convidados e mais tarde gravou-o com o Quarteto de Cordas de Budapeste.
O profissionalismo com que encarou a sua carreira, levou-o frequentemente ás grandes salas de espectáculos, a convite de grandes orquestras sinfónicas, e interpretou os mais variados concertos para clarinete do reportório clássico, como por exemplo, Copland, Hindmith e Milhaud.
Tocou também nas mais prestigiadas orquestras americanas, obras de Bernstein, Debussy, Stravinsky, entre outros.
Mesmo nesta altura, Goodman continuava a saltar entre o Carnegie Hall e o Rainbow Grill.

Após 1945, a vida profissional de Benny Goodman tornou-se menos activa, já não teve o mesmo sucesso e várias foram as razões, desde contratos forçados, destruição dos seus grupos e os grandes músicos que tocavam com ele procuraram novos horizontes.

Mesmo assim, continuou a tocar e a liderar algumas big bands, ainda que por tempos determinados, por vezes para fazer algumas gravações ou pequenas digressões e continuou também a trabalhar em pequenos ensembles, isto porque Goodman sempre preferiu os pequenos ensembles às grandes orquestras e foi nesta altura que surgiu o seu famoso sexteto.


Benny Goodman não era uma personalidade ou um showman, não era um intelectual, ele apenas fazia música, com muito talento e muito controlo, não era tão profundo como Charlie Parker, mas era um virtuoso do clarinete e um líder de orquestra.
A sua flawless solo, as suas improvisações, tornaramse Standards do repertório jazzístico.
Benny Goodman era um grande clarinetista.
Ele fundou e dirigiu a mais importante organização musical da Swing Era, e contribuiu para inicio de uma nova época na música popular americana.

01 novembro 2005
  Coleman Hawkins (1904 – 1969)

O saxofone é, por eleição do público em geral, o instrumento rei do jazz, no entanto, este não fazia parte das primeiras formações neste tipo de música.

Foi em 1914, com o grupo Six Brown Brothers, constituído apenas por saxofones, que se fizeram as primeiras gravações de ragtime e jazz com este instrumento.
Coleman Hawkins foi o responsável pela afirmação do saxofone tenor no mundo do jazz, servindo de exemplo a muitos outros nomes deste instrumento, desde Ben Webster, Hershel Evans, Chu Bery, Budd Johnson, Don Bias, Teddy McRae, Lucky Thompson, John Coltrane e Sonny Rollins.

Coleman Hawkins, foi contemporâneo de outros grandes saxofonistas, “Stump” Evans e Prince Robinson, com quem partilhava determinadas características como grande capacidade técnica, comando do instrumento, técnica slap-tongue.

Embora tocasse todos os tipos de saxofone (excepto soprano) e também clarinete, acabou por se dedicar ao tenor, que até então não era considerado um instrumento de vertente melódica. Aqui enquadravam-se melhor o alto, o saxofone em dó e o soprano (de Sydney Bechet). Aos dezanove anos, ingressou na orquestra de Fletcher Henderson, onde
efectuou a sua primeira gravação com a peça ”Dicty Blues”.

É surpreendente a sua perfomance no registo agudo do tenor e, através dela, o tenor viu a sua aceitação no grupo dos instrumentos melódicos. A sua capacidade sonora fazia com que as três oitavas do instrumento pudessem ficar associadas a três instrumentos – barítono, tenor e alto.

O seu estilo rítmico foi influenciado pelo Louis Armstrong, quando este se juntou à orquestra de Henderson em 1924. Até aqui rígido e baseado no slap-tongue, começou a evoluir para uma forma mais suave, linear e melódica, evidente na sua gravação ”Stampede” em 1926, e na qual se denota a sua entrada no swing.

Era um grande ouvinte e progressivamente foi assimilando e integrando as novas vagas do jazz e da música clássica no seu próprio estilo.
Não se contentava com o que já tinha atingido, procurando sempre mais, na sua música a nível técnico e emotivo. A sua gravação mais famosa corresponde a “Body and Soul” de 1939.


O Jazz nasceu à beira de um abismo.
O Jazz é tensão, estirada, dor agudíssima.
O Jazz não é terminal, recusa-se a um fim, continua mesmo quando acaba.
Porque no Jazz o que importa, acima de tudo, é não acordar!

Natália Correia
(adaptado)

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